quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Alternativa e não alternância...

Tenho lido por aqui, por ali, por acolá, que, quem não está de acordo com a atual direção do PS, ou pretende um “golpe de estado” ou é um “oportunista".

Ora bem…
Diz a definição de golpe de estado, que o mesmo destina-se a derrubar ILEGALMENTE um governo constitucionalmente LEGÍTIMO. 

Esse termo aplicado, à atual liderança do PS, soa-me a paradoxo, porque, se o que se pretende, é a marcação de um congresso para que o mandato do secretário-geral do PS não se prolongue “ilegalmente” para lá dos dois anos; um golpe de estado para repor a legalidade, não sendo caso único, seria quase sui generis.

Quanto ao “oportunismo”; não será melhor aplicado a uma desculpa de que estamos a poucos meses de autárquicas, o que torna, pouco “oportuno”, um congresso.
As autárquicas são em Setembro. Não chegam 8 meses de permeio para marcar um congresso e esclarecer, de vez, a situação?

As últimas sondagens, mostram um PS à frente do PSD mas, não ultrapassando os 34%, onde estagna.
Sabendo que, em eleições anteriores o PS atingiu maioria absoluta, este resultado demonstra um PS longe de conseguir agregar, em si, o desagrado das pessoas e de surgir como a ALTERNATIVA "natural" a este Governo.

Parece-me pois, de BOM SENSO, que se consultem os militantes para se saber se Seguro se deve manter como secretário-geral ou, se outra personalidade, terá mais apoio do que ele para levar o PS a descolar nas sondagens.
A ser assim, resulta lógico que essa consulta aconteça antes das autárquicas.

Para que o PS se sinta unido, é forçoso haver uma liderança clara, INCONTESTADA em torno de um projeto ALTERNATIVO, perfeitamente definido, à governação PSD-CDS.
Não me parece, que seja isso que ocorre atualmente.

Se, na realidade, Seguro, é o que os militantes preferem para liderar as “batalhas” que se aproximam, então o Congresso também será o ideal para CONSOLIDAR a sua liderança.
Se, pelo contrário, se manifestar em congresso que Seguro não se apresenta como alternativa forte e DEMARCADA perante o Governo, então o Congresso será igualmente importante para que tal seja clarificado e os militantes possam OPTAR por outra liderança.

É que assim, vamos vivendo numa “paz podre” onde, nem os socialistas estão UNIDOS em torno de uma liderança; nem os Portugueses vislumbram uma ALTERNATIVA ao atual Governo mas apenas mais uma ALTERNÂNCIA e isso desfavorece, grandemente, o PS na intenção de voto dos portugueses.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

É A ECONOMIA, estúpido...



Vivemos numa época de ECONOMISTAS e CONTABILISTAS.
Houve um tempo, em que os políticos vinham da área das Humanidades e do Direito. 

Com esta invasão de contabilistas e contadores de dinheiro, as pessoas começaram a ser confundidas com números, em colunas que têm que dar certas umas com as outras e a política, enquanto procura do conforto e da felicidade, desapareceu. 

Composto por economistas e contabilistas, o FMI, demonstra, assim, a sua, literal, DESUMANIDADE e rigorosa IGNORÂNCIA , nada sabendo sobre as prioridades de uma governação, minimamente ,sensata.

O mais absurdo é que esta forma de ver as coisas, sendo uma postura ideológica, é , ultimamente, uma atitude de acerto de contas. Veja-se a meia hora a mais de trabalho por dia, ou a passagem da reforma dos 65 para 66 anos, ou os funcionários públicos com horário de 40 horas semanais, ou as aulas a 60 minutos.

Tudo isso é proposto, para que as tais colunas confiram e, nenhum destes senhores pensa que essas medidas , para terem algum efeito, necessitam muito trabalho e planificação e algumas nunca serão produtivas, como as aulas de uma hora , em que é necessário manter a atenção do aluno, como as semanas de 40 horas de trabalho em que é necessário estar-se motivado, ou como o aumento da idade da reforma em que é preciso estar-se em condições físicas.

O resultado de uma equação feita do endeusamento da economia promovida a ciência superior, pariu este lindo estado de coisas.; banqueiros no poder sem terem sido eleitos, “mercados” sujeitos a avaliações obscuras ,juros agiotas para empréstimos impagáveis, empresas que se “deslocalizam” à mínima reivindicação e assentam arraiais onde as pessoas são escravizados e os números são senhores.

O que me suaviza a mágoa por este estado de coisas, é a esperança de estarmos a viver um fim de ciclo. Porque estes ignorantes, que nunca devem ter lido os manuais de História, não sabem que as revoluções aconteceram e … acontecem.
E acontecem com mais, ou menos gente ,e aí, as estatísticas apenas servirão para ajudar a ilustrar como foi ESTÚPIDA a ECONOMIA.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

SOARES É FIXE … O RESTO QUE SE LIXE!!!

Sempre me considerei mais SOARISTA que socialista. SEMPRE votei em Mário Soares e, por consequência no Partido Socialista sempre que era ele o secretário-geral.


Fui apoiante acérrimo no MASP (Movimento de Apoio Soares à Presidência) em 1986 e menos acérrimo em 1991, porque aqui já eram “favas contadas” e a minha desilusão política, na ocasião, afastou-me um pouco das “lutas” políticas.

Ao longo da sua vida política, Mário Soares tem suscitado raivas e afetos, antagonismos e reconhecimentos, amigos e inimigos, mas já Churchill, outro grande estadista disse; «You have enemies? Good. That means you've stood up for something, sometime in your life.». 
Assim é e foi com Mário Soares, arriscou liberdade, carreira e até a vida, por convicções, que ainda mantém. Defensor acérrimo da liberdade, nunca cedeu, nunca pactuou contra qualquer limitação no exercício da cidadania, quer fosse contra salazaristas, contra o PREC dos comunistas e depois, posteriormente, contra a Direita que queria ilegalizar aqueles mesmos comunistas
Talvez por isso, por ter estado contra vários lados distintos e opostos entre si, colecionou ódios viscerais e inimizades covardes.

Tal como covardes são agora estes rastejantes sub-humanos que, aproveitando o anonimato que hoje em dia a Net permite, deixam nela comentários abjetos e desprezíveis sobre a hospitalização de Mário Soares.
Este anonimato, permite que a ESCÓRIA social desta “courela” à beira mar plantada, se sirva de argumentos nojentos para deitar abaixo e para derrubar aquele que estes "corajosos" de meia tijela não conseguem sequer chegar aos calcanhares.

Por um lado, esta total a inversão de valores que vou assistindo na sociedade portuguesa- onde já se dá mais valor a cães que pessoas- já não me causa grande surpresa. Não é pois, com admiração, que assisto, a que uns, a coberto desse anonimato, outros pensando baixinho, tenham aproveitado o internamento de Mário Soares para lhe "rogar" as habituais pragas à portuguesa.
Felizmente, nem todos sofremos deste mal que faz definhar quem foi por ele apanhado, a inveja ou a MALEDICÊNCIA gratuita.

Mesmo com os seus defeitos- inerentes à condição humana- Mário Soares é ainda incomparável a toda esta fauna atual.
Quer queiram, quer não, Mário Soares ficará na história porque é um PATRIMÓNIO nacional e, perdê-lo, seria perder um grande pedaço da nossa identidade enquanto Estado democrático.

A estes detratores comezinhos, deixo o lema da campanha MASP/86 e que eu muitos vezes gritei;
SOARES É FIXE … O RESTO QUE SE LIXE!!!

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

PRECalhadas


A cada dia e a cada novo episódio da SAGA DESTRUTIVA DESTE GOVERNO, cresce em mim a ideia de que, tudo isto, é mesmo uma conspiração para que esta Direita neoliberal justifique a implementação da sua IDEOLOGIA.
Se não vejamos.
Este governo insiste em não renegociar os termos da dívida apesar de existir cada vez mais abertura da parte da Troika e dos devedores para que tal seja feito. Qualquer dia, acontecerá algo único que é, SEREM OS CREDORES A QUEREREM REESTRUTURAR A DÍVIDA, porque até já eles perceberam que, só assim aquela será pagável e não desta forma destrutiva para a economia.

Este governo, no entanto, insiste em não querer isso porque assim justifica o discurso do “CUSTE O QUE CUSTAR” e a implementação de um novo Processo de Revolução Em Curso (PREC), desta vez da Direita neoliberal.

E este PREC é liderado pela tríade; Coelho, Gaspar, Relvas.
Passos Coelho um inexperiente e ignorante que nunca deve ter lido História, ainda que lhe bastasse ler a História de Portugal nos últimos 38 anos.
Vitor Gaspar é um nerd, um idiota versado e mestrado em meras teorias da economia e que, metido no seu “casulo” feito de folhas excel, não sabe o que
é a realidade objetiva das coisas.
Miguel Relvas é aquilo tudo e não é nada ao mesmo tempo.

Bastaria a estes três ignaros lerem a História para perceberem que este Processo de Revolução Em Curso (PREC) da direita neo-liberal, tem tudo para dar com os “burrinhos na água”.

E porquê?

A seguir ao 25 de abril de ´74, O PREC de Esquerda, nacionalizou milhares de empresas, deu exagerados direitos, aos trabalhadores, atacou os bancos, os ricos, os industriais, os grupos económicos e o grande capital e tornou o Estado excessivamente poderoso, centralizador, controlador e “BURROcratizador”. Foi negativo.

Este PREC de Direita privatiza as empresas estatais, mesmo as lucrativas, protege e financia os bancos, as grandes empresas, o Capital ao mesmo tempo que hostiliza, a classe média, os professores, os desempregados, os pensionistas, arrasa com os direitos dos trabalhadores em geral e com os funcionários públicos em particular, despedindo milhares e reduzindo drasticamente os salários dos que ficam.
Este PREC de Direita, quer arrasar com a estrutura do Estado Social tal como a conhecemos porque, para estes neoliberais de pacotilha, o Estado é ideologicamente o princípio de todos os males

Este PREC de Direita, ALÉM DE DEMOLIDOR É FEITO NO PIOR MOMENTO POSSÍVEL.
Pretender-se cortar 4 mil milhões de euros à despesa do Estado, sabendo que isso é cortar 2% do PIB, é agravar a recessão. 
Pretender-se despedir mais 150 mil pessoas – funcionários públicos- sabendo que  os desempregados já são 800 mil é aumentar despesas com subsídios de desemprego e indemnizações.
Pretender-se pagar a dívida do país com quase 1 milhão de pessoas sem trabalho é uma utopia.

Se iniciar uma revolução destas já é demolidor, fazê-lo quando o país se encontra numa enorme crise é patrocinar uma CONTRA-REVOLUÇÃO no país.
E essa contra-revolução, se nada acontecer de pior antes, serão as eleições, que- A CONTINUARMOS EM DEMOCRACIA- advirão. E aí, esta Direita, perderá esmagadoramente, essas eleições e virá a Esquerda que anulará grande parte destas medidas e começará tudo de novo.
Quem perde com isto tudo é a economia do país paralisada de PREC em contra-PREC.

Não seria mais construtivo, esta Direita estapafúrdia deixar-se de ideologias radicais e de revoluções neoliberais feitas à pressa e dar primazia ao consenso social e à estabilidade política???