quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Simplificação excessiva

Caro Ministro das Finanças.

Não sou economista, e tampouco desejo que «a simplificação excessiva de assuntos complexos conduzam inevitavelmente a mal-entendidos»

Mas …

Será SIMPLES a assunção de que são as empresas que criam riqueza para o país ?

Será EXCESSIVO afirmar que, essas empresas só criam riqueza e emprego se produzirem ? E só produzem se venderem ? E p´ra venderem é preciso clientes ?

E será COMPLEXO, pensar que, se não existirem clientes - entretanto assoberbados e depauperados por impostos e cortes e sem capacidade de consumir-, o consumo retrair-se-á e muito ?

Será, em consequência um MAL-ENTENDIDO concluir que, não existindo consumo, as empresas não produzem e logo irão falir e não pagar impostos, assim como criar mais desemprego que dará lugar a mais subsídios de desemprego e logo; menos receita e mais despesa?

O senhor Ministro das Finanças é que sabe, porque eu sou um pouco como o seu primeiro-ministro; apenas um leigo nestas coisas.
Pronto, ok, concedo…penso um pouco mais.
Defeito meu, talvez.
Mas o senhor é que sabe.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Ironia


CAVACO Silva, pela diferença de uns meros euros, optou por receber a REFORMA em vez do vencimento de Presidente da república.

Esse gesto, além de retirar dignidade ao cargo, demonstrou a sua falta de DIMENSÃO para a função, dado que, o Presidente da República  deve auferir o que está estipulado para o exercício do cargo e não receber reforma para que, assim, não seja visto como um REFORMADO.

Ironia do destino que, através das medidas propostas pelo Orçamento de Estado, acabe,  afinal, por ver tornar-se errada aquela opção que por avidez  tomou.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Uma tarefa "espinhosa" ...


Não deixa de ser revelador que, sendo este governo, claramente, de uma incompetência e inabilidade atroz, sejam poucos os intervenientes políticos a exigirem a demissão do mesmo.

Deve-se ,esta inação,(quase) exclusivamente à “partidirite” e não ao propalado interesse nacional, que sairia lesado com eleições antes do final da legislatura.

Os partidos, mostram-se tementes a resultados eleitorais desastrosos, assim como também são sabedores de que, a austeridade será o caminho a seguir e evitam, o mais que podem, ficar associados a estes maus tempos, relegando , assim, o poder.

Neste campo, ressalta a liderança , aparentemente,  titubeante de José Seguro mas que nada mais é que uma liderança paciente e maturada, pois o PS sabe que não tem, grande, alternativa à austeridade e à contenção de gastos. Por ser mais ou menos austeridade decorrente de uma ausente ou presente negociação com a Troika, mas será sempre austeridade.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Um EPITÁFIO também é um ELOGIO...


Fruto da sua política de “péssimo aluno» e do “agarrem-me se não eu vou-me embora do Euro”, a Grécia obteve melhores condições para o pagamento da sua dívida, como sejam, a redução da comissão dos juros, a
largamento do prazo de pagamento e um período de carência em que não pagará quaisquer juros.

Ao saber disto, o “bom aluno” português, entendeu que, tais condições, se aplicariam também a Portugal, até porque existe um pacto que acorda em que, as condições serão iguais para todos os «países do programa»-Portugal, Grécia e Irlanda..

Nada mais Justo, certo ?
Errado.

A Alemanha, pela voz do seu ministro das Finanças, logo fez saber que não «aconselharia Portugal a beneficiar das mesmas condições» porque não se pode comparar com a Grécia, porque – e aqui está o elogio- Portugal é diferente.
Ato contínuo, Gaspar e o acólito Coelho- ou será o inverso ?- executam uma “cambalhota” com “flic flak à retaguarda”, dizendo que afinal não se deve beneficiar de algo que nos coloca em igualdade de circunstâncias com alguém a quem não nos queremos comparar.

É mais ou menos assim; 
“mau aluno grego” que é um cábula e refilão e que não faz os trabalhos-de-casa, leva um ralhete mas é recompensado com um “doce”. 
“bom aluno português” que é marrão e manso e que, não só faz os trabalhos-de-casa que lhe mandam, como ainda pede mais, recebe um elogio mas é-lhe mantida a dose de trabalhos diários, sem alívio ou pena.

Fora as alegorias escolares, falha-me perceber a lógica por trás da apologia de tratar de forma desigual um problema igual e, em consequência, do governo português não requerer qualquer alívio nas condições de empréstimo.

É que até Cavaco Silva, em muitas situações mudo e quedo, se dignou demonstrar que não vai na conversa dos alemães e reclamou condições iguais às da Grécia.

De elogio em elogio a caminho do epitáfio*.

*(Epitáfio = Breve elogio fúnebre)