A ESTRATÉGIA
Este Governo, seguindo a política do bom aluno que
vai além da Troika, carregando fortemente nos impostos e, em consequência
reduzindo o consumo interno, acabou a conseguir uma menor receita resultante dos
impostos e, em consequência, uma redução insignificante do défice.
Aparentemente resultado de pura incompetência, este intencional falhanço serve, no
entanto, o propósito de uma estratégia governamental.
Ao não corrigir as contas
públicas e falhar em atenuar a rota ascendente do défice, o governo pretende demonstrar
que, mesmo cortando e saturando de impostos os contribuintes, o que sobra não
dá para manter o Estado tal como ele existe.
Este falhanço é, assim, o melhor dos pretextos para
este Governo fazer, por pura opção ideológica, o que sempre ambicionou; desmantelar
o Estado Social e destruir os, já se si precários, equilíbrios económicos,
sociais e políticos do país.
A intenção do aniquilamento do Estado Social, não
resulta pois, de uma genuína reação à atual e real capacidade financeira do
país, mas à aplicação de um programa ideológico constante nos manuais
neo-liberais deste Governo.
REFUNDAÇÃO
Precisará o Estado de ser refundado,
ou carece, isso sim, de saber quais as funções essenciais que deve assegurar?
Nas atuais funções sociais do Estado, a Educação,
Saúde, Segurança Social, Habitação, Cultura, são as despesas que consomem mais
de 80 % do dinheiro embolsado pelos impostos.
Aparte a Justiça, as Finanças e a Administração
Interna que além de absolutamente necessárias são, obviamente, funções de
soberania e logo não privatizáveis, a Saúde e a Educação, devem ser mantidas na
esfera do Estado embora devam ser objeto de estudo aprofundado sobre as
hipóteses de diminuir custos mantendo, ou mesmo melhorando, os serviços
prestados.
Já atribuições como, qual a dimensão nas nossas
Forças Armadas e no limite a necessidade da sua existência podem ser
questionados.
No mesmo sentido, duvido muito que seja fundamental, fomentar e manter uma rede de transportes excessivamente deficitária, e que contribui grandemente para o afundamento das contas públicas.
No mesmo sentido, duvido muito que seja fundamental, fomentar e manter uma rede de transportes excessivamente deficitária, e que contribui grandemente para o afundamento das contas públicas.
Feita essa reflexão sobre as funções que o Estado
deverá continuar a desenvolver, há que adequá-las às autênticas capacidades
financeiras do país e ao nível de tributação que lhe está subjacente e que a
sociedade pode ou quer suportar.
"RESUSTENTAR"
A única forma de manter esse Estado
Social- tenha ele a dimensão que tiver- de forma financeiramente viável, não é apenas reformá-lo, é dar-lhe, na
mesma proporção, uma base sólida de mais crescimento e de mais população ativa
apta a sustentá-lo.
No entanto, o esforço imenso, que estamos a fazer, para corrigir os
nossos problemas, está concomitantemente, a produzir efeitos perversos, como
sejam a subida do desemprego e da pobreza, colocando
uma parte importante da população ao nível da sobrevivência e provocando a
emigração em grande escala, grande parte dela qualificada, e que seria
utilíssima ao país.
Para obstar a esse caminho do ajustamento cego do
“custe o que custar”, mais pernicioso que valioso, torna-se premente e urgente
implementar e delinear um plano de crescimento sustentável da nossa economia,
sendo que, para isso, há que nos aliarmos na Europa, criando um grupo de
influência que, connosco, faça sobressair as vantagens e benefícios desse
programa.
Sabendo que, um programa de crescimento, para ser
viável, necessita de dinheiro livre para investir, são obrigatórias condições de
financiamento mais razoáveis e isso passa por demonstrar aos nossos
“penhoristas” que, nestes prazos, com estes juros e sem políticas voltadas para
retirar do coma assistido a nossa economia, jamais lhes conseguiremos pagar o
que quer que seja.

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